
Verdadeiramente, a típica dependência humana preferida nem é pelo material. Até parece ser esse o caso, quando você observa a superfície das relações dos seres ditos pensantes. A realidade profunda é outra. O ser humano é viciado em poder. Em controle. Quer controlar tudo, desde que não seja a si mesmo. Do autocontrole, foge amedrontado, acuado, fragilizado.
Sem qualquer freio, não se torna apenas viciado em práticas degradantes como a pornografia, o jogo, o uso de substâncias tóxicas e destruidoras, ou qualquer outro comportamento que mina o caráter. Ele se vicia em exercer poder desmedido sobre os outros. E não importa em que nível isso ocorra e nem em que etapa da vida. Naturalmente, os seres humanos costumam paradoxalmente se desumanizar. Tudo em nome de um controle autoritário.
Seres que se autoproclamam humanos ainda lutam para adquirir o que não necessitam; para se tornar algo que nunca deveriam almejar e destroem aqueles que nunca lhes significaram oposição ou antagonismo.
O vício do poder é pernicioso e sorrateiro. Cresce inflando a autossatisfação e nunca diminui se não houver uma decisão. É preciso olhar o outro como alguém por quem se sacrificar. No cristianismo da Bíblia, é o que Deus fez pela humanidade. Morre em favor e abre mão do inestimável poder para oferecer redenção.
Quando isso é compreendido, o poder deixa de ser objeto máximo da cobiça humana. E esse maldito vício original é derrubado.