
Os outros assustam. Quando só vemos a nós mesmos. E não permitimos enxergar além do espelho. Os outros, muitas vezes, incomodam, irritam, causam repulsa. Talvez porque nos esforcemos cada vez mais para sermos apenas nós. Sem pensar nos outros.
É cômodo sermos apenas unicamente nós e nossas ideias e pensamentos. Sempre parece mais agradável, prazeroso ou empolgante falarmos apenas de nós mesmos, pensarmos em nossas coisas, convivermos com os nossos sonhos e desejos. O pequeno e fantasioso império do eu. Aprendemos muito pouco quando deixamos os outros de fora do aprendizado. Não crescemos tanto quanto poderíamos. Nos limitamos por medos e invejas; às vezes, escondidos, por outras vezes, escancarados. Mas perdemos. Ficamos menores.
Nem sempre é fácil viver com os outros. Aliás, nunca é. Porque não somos nós, mas os outros. O convívio com o “eu” é complicado por si só. Exige muito nos tempos atuais em que até a solidão se torna perturbadora no difícil mundo do individualismo. Imagine viver com os outros. Trata-se de um permanente convite ao desafio de sair da bolha egoísta e tentar entender o que nem sempre queremos entender.
É lutar contra a natureza egocêntrica, ególatra, que só se satisfaz consigo mesma. Não se alimenta do que outro dá. Os outros nos fazem ser quem somos. Nos ajudam a entender o que nem sempre entendemos. A olhar por ângulos que desconhecíamos, que ignorávamos, que nunca seriam considerados em nossa caminhada.
Podemos ser melhores se percebermos menos a nós mesmos. E observarmos um pouco mais os outros. Aprendermos com o diferente, com quem não é exatamente o que queremos. Mas precisamos.