
Os conceitos prévios, nem sempre certos e tampouco consistentes, julgam, decidem e dão vereditos. Definem os outros. Pelos olhos de quem vê pouco. De quem enxerga mal. Por conta dos olhares daqueles acometidos pela miopia que faz a vida parecer pouco nítida. Os preconceitos nascem de visões embaçadas, distorcidas, pouco preocupadas com a clareza. E de mentalidades que se fecham para separar, dividir, obstruir caminhos.
Construir e manter pontes não é natural no mundo em que o valor do combate parece ser maior do que o da caminhada no mesmo rumo. O outro, o diferente de mim, ainda é visto como um inimigo a ser inferiorizado, diminuído e vencido. Só que essa guerra não tem vencedores. Só lutadores. Os humanos ainda são os mesmos, parecidos, semelhantes, embora muitos se considerem tão diferenciados e superiores. Mas todos, sem exceção, baixam ao pó da terra cedo ou tarde. Sofrem dos mesmos males por aqui. Padecem das mesmas incertezas, inseguranças e complexidades.
Os preconceitos, os famosos conceitos prévios, são gerados pela finitude de pensamento e fraqueza de caráter. Surgem da incapacidade de se mirar o horizonte e ver um destino comum a alcançar. Os problemas sociais e políticos são apenas o reflexo do que o ser humano ainda nutre dentro de si. Não faltam recursos materiais, educacionais, estruturas, regulamentos ou leis.
Não!
O problema vem de dentro. Aprendemos a construir muralhas para nos impedir de crescermos juntos. O medo de não sermos superiores nos faz agir, na qualidade de preconceituosos, como inferiores moralmente, eticamente, espiritualmente.
A luta contra os preconceitos não virá provavelmente de modelos de ensino ou normas estabelecidas aqui ou ali. Virá de mudança de mentalidade a qual não é desenvolvida naturalmente. Precisa ser buscada intencionalmente por quem se considera um servo, o que serve e ilumina o caminho por onde passa respeitando e ajudando.
O diferente de mim não é um inimigo a ser combatido. É alguém com quem vou caminhar!