Os novos chefes e seu preço

Os donos das redes sociais e canais e espaços digitais, todos sabem, são as empresas que as inventaram/criaram e delas tiram lucro. Óbvio. E os novos chefes de todos os que trabalham para essa rede (nós) são as próprias pessoas (nós também). Os públicos. Essa massa aparentemente desorganizada, formada por comentaristas, rápidos em dar opiniões sobre tudo e todos, gente culta, gente inculta, que ordena e exige muita coisa. Consumidores de informação, ou talvez deformação.

O tempo passa e essa relação se torna mais caótica, doentia e preocupante. É preciso gritar, cortar, lacrar, exagerar, mentir, distorcer e iludir para vender ideias, produtos, conceitos e teorias. A lógica das redes e as regras dos chefes pedem (na verdade, mandam) que todos se comportem de uma determinada forma. E segundos depois, de maneira oposta. O pseudo divertimento digital não beira a loucura, pois já está imerso e afundado nela. Ora é preciso agradar. Ora, dependendo do contexto, é preciso desagradar. Os humores variáveis do insano grupo que dirige os influenciadores e sua influência se move conforme a ventania desorientada

O tempo há de cobrar o preço de toda essa enferma realidade paralela criada. Um dia, talvez nos demos conta das loucuras que andamos fazendo. Em nome da audiência, dos novos chefes. Os “produtores de conteúdo” obedecem ao que lhe demandam. Poucas vezes, o que gostariam de fazer e quase nunca o que deveriam ter feito. Privilegiam o que rende engajamento, ainda que muito seja ficção. E muito malfeita. A IA há de fazer melhor! Esse é o jogo hipermoderno, transmoderno, que precisa ser jogado por quem precisa/quer visibilidade. Para sobreviver. Para ter um lugar ao sol. Um sol que queima mais rapidamente.

Os novos chefes seguem chefiando. Sem saber exatamente o que desejam, mas desejando de toda a forma. Sem entender o rumo de seus pedidos. E os demandados seguem desesperados em busca de uma verificação, uma aprovação. Um selo que lhes dê uma sensação de poder.

Que não possuem, mas que imaginam possuir. Embora o poder de controle esteja nas mãos dos chefes.

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